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The Strain – Guillermo Del Toro e Chuck Hogan

dezembro 18, 2009

Que tal se mais uma franquia embarcasse nessa onda de vampiros? Mas e se, diferente do cenário atual em que o mito foi repaginado na forma de galãs apaixonados com poderes sobre-humanos lutando pelo coração de uma donzela indefesa, tivéssemos os vampiros retratados como vírus encarnados, uma praga que consumirá o mundo em poucos meses, num banho de sangue e violência, sem que ninguém seja poupado? Aposto que você achou bem mais interessante agora. Pois bem, justamente quando começávamos a sentir falta de ventos novos soprando por esses lados, trazendo mais fôlego e uma nova visão dessa criatura lendária, eis que surge nas prateleiras das livrarias ao redor do mundo “The Strain”. A propósito, aqui na Caverna, essa obra literária será tratada pelo nome original, negando a absurda e nonsense tradução da versão nacional, “Noturno”.

E, para ficar a cabo dessa releitura, quem melhor do que a mente genial por trás de filmes como “O Labirinto do Fauno”, Guillermo Del Toro, na companhia do premiado escritor de thrillers e romances policiais Chuck Hogan? Primeiro livro de uma trilogia, “The Strain” já dá sinais de se tornar uma franquia de sucesso avassalador, não só na literatura, como em futuras – e porque não, inevitáveis – produções cinematográficas. A proporção desse sucesso pode ser mensurada nas palavras de outro fodástico gênio da literatura contemporânea de ficção americana, Clive Cussler:

“A trilogia iniciada por “The Strain” se desenvolve através de uma encantadora intriga. Verdadeiramente, um inesquecível conto do qual você é incapaz de desgrudar assim que lê a primeira página. Mal posso esperar pelo próximo da série!”

“The Strain” começa com um boeing 777 aterrissando no aeroporto JFK, em New York. No entanto, o avião pára no meio da pista, completamente ‘morto’. E dentro dele, todos os passageiros e tripulação se resumem a uma pilha de corpos pálidos e sem sangue. Adornando o quadro bizarro, um imenso caixão é achado sem registro algum no compartimento de carga da aeronave. Essa passagem sinistra marca a chegada aos EUA de Jusef Sardu, um vampiro conhecido como o Mestre. A história acompanha o Dr. Ephraim Goodweather, do Departamento de Controle de Doenças, enquanto ele investiga o que a princípio parece ser um vírus, que causou a morte em massa dos ocupantes do avião. Conforme prossegue em suas análises, Eph entra em contato com Abraham Setrakian, um velho excêntrico com vasto conhecimento sobre o tal vírus, introduzindo ao doutor e ao leitor, outra palavra com ‘v’: vampiro. No desenrolar dos acontecimentos, é revelado que os vampiros datam de tempos remotos, através de cinco Antigos, vampiros que existem há muitos e muitos séculos. Três Antigos habitam o novo mundo, com os quatro restantes espalhados pela Europa e Ásia. Um desses quatro – inimigo histórico de Setrakian – veio ao novo mundo, com o auxílio de algum humano, quebrando uma tênue paz. Fazendo isso, ele inicia uma guerra contra os Antigos, dizimando gradativamente a raça humana.

A princípio, a figura do vampiro apresentada por Del Toro e Hogan pode causar estranhamento. Tanto físicamente quanto em seu ‘modus operandi’, esse personagem foi bastante modificado e adaptado, para que fosse dado lugar a um ser perverso, violento, grotesco, negando a aura de glamour que cerca os vampiros que temos em destaque na mídia hoje em dia. Definitivamente, os fãs de Stephenie Meyer e afins ficarão desapontados. Esses vampiros não são “vegetarianos”, rocks stars ou amantes dedicados. Eles são famintos, animalescos, impiedosos e deixariam o Sr. Edward Cullen se borrando de medo (há!). Pois bem, o resultado dessas mudanças perpetradas pela dupla foi uma sinergia entre o sobrenatural e a ciência, já q no desenvolver da história, nos são apresentados tanto lendas que permeiam os Antigos e sua estirpe, como indicações biológicas e científicas que justificam e explicam, por exemplo, a transformação de um humano em vampiro, as mudanças fisiológicas e a necessidade de sangue.

A ambientação do livro num cenário urbano intenso, em plena cidade de New York, também é um trunfo. Aqui, os elementos sombrios, obscuros e modernos da maior metrópole do planeta representam o pano de fundo perfeito para toda a ação que é latente do início ao fim de “The Strain”. A cidade representa um papel importantíssimo e tem seus endereços e ambientes explorados com genialidade pelos autores, dando veracidade e aproximando do mundo real, da vida cotidiana, os acontecimentos da história. Existe algo mais atual e dentro da realidade do que vampiros sendo retratados como os agentes de uma praga viral de contágio exponencial prestes a liquidar a raça humana?

“The Strain” tem um ritmo alucinante, com cortes rápidos, típicos de roteiros cinematográficos. A ação flui intensamente e chega a chocar em alguns momentos, fazendo da leitura, uma experiência muito dinâmica. As descrições detalhistas são um primor e chegam a ser cruéis, fazendo o leitor sentir em seu próprio corpo as dores nauseantes sofridas pelos transformados, em sua metamorfose de humanos para vampiros. Arrisco a dizer que “The Strain” é a síntese dos melhores elementos dos mundos de Bram Stoker, Michael Crichton e Stephen King. Aqui na Caverna, esse e os próximos dois livros que compõe a trilogia, já têm lugar certo na prateleira!

Pra você entrar bem no clima da obra de Guillermo Del Toro e Chuck Hogan, dá uma visitada no site oficial de “The Strain”. Lá você vai encontrar um material bem interessante sobre o universo criado para contar essa que não é só mais uma história de vampiros.

www.thestraintrilogy.com

E como a cereja do bolo, aqui vão alguns vídeos oficiais – que você também encontra no site – que vão te transportar para a atmosfera da história. Primeiro, o trailer, seguido de duas dramatizações de cenas do livro e, encerrando a lista, um breve relato do próprio Del Toro. Imperdível!